Qual a idade do fogo?
- Siará Santos
- 9 de dez. de 2022
- 2 min de leitura
As contribuições técnicas da cultura desempenharam um papel crucial nessa evolução, não somente obtendo alimentos energéticos, mas sobretudo para extrair ainda mais energia deles, o que se tornou particularmente verdadeiro após a domesticação do fogo. Sendo um tipo de pré-digestão, o cozimento favorece de fato a desintoxicação dos alimentos, torna-os mais digeríveis e aumenta seu valor calórico. Estudos demonstram, por exemplo, que 35% do amido cozido pode ser digerido contra 12% do amido cru, assim como 78% das proteínas cozidas contra 45% das proteínas cruas. Graças ao cozimento, nosso aparelho digestivo representa somente 10% do metabolismo basal.
De que época data a domesticação do fogo? No Oriente Próximo, os fogões à lenha incontestavelmente mais antigos -os de Gesher Benot Ya'aqov em Israel, por exemplo, datam de cerca de 790 mil anos. Na Europa, o de Přezletice, na República Tcheca, data de 700 mil anos; o de Menez Dregan, na Bretanha, França, tem 450 mil anos, assim como o de Vértesszóllös, na Hungria. Na China, em Zhoukoudian, foi achado um fogão à lenha com mais de 420 mil anos.
Consequentemente, na Europa, o ancestral comum do H. neanderthalensis e do H. sapiens-o H. heidelbergensis- controlava o fogo há 600 mil anos. E na África? O caso da gruta de Swartkrans, onde mais de 270 ossos queimados sugerem o cozimento da carne e sem dúvida de raízes tuberosas, nos demonstra que o emprego do fogo é de fato bem mais antigo, recuando no tempo a 1,5 milhão de anos, pelo menos. No sítio de Chesowanja, no Quênia, existem também vestígios importantes de fogo datando de 1,4 milhão de anos, mas sua domesticação é questionada: pode se tratar de um caso de utilização de fogo "natural". A discussão pros- segue, mas para Richard Wrangham, o fogo estaria ligado ao rápido desenvolvimento do cérebro entre 1,6 milhão de anos e 1,8 milhão de anos para o H. ergaster na África e para o H. erectus, na Ásia, visto que ele favoreceu a assimilação das proteínas animais que os homens consomem com a maior frequência possível.
Fonte: Livro As últimas notícias do Sapiens pág 52. By Silvana Condemi | François Savatier.





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